PITU – o nome veio do camarão, não da cachaça. O tio que lhe deu o apelido também contribuiu na formação de seu DNA musical. Não só ele, mas também outros tios, os pais, os primos, o rádio e a TV.

     A infância de qualquer criança do interior de SP nos anos 90 passaria, invariavelmente, por essas influências. Se pensarmos que a música tocada nessa época ia de Chitãozinho e Xororó a Guns n’ Roses, fica mais fácil entender como Pitu pôde absorver tantos elementos distintos.

     Em 94 começou a aprender violão e em 96 passou pra guitarra, embora quisesse, na verdade, ser baterista. Não conseguia conceber a ideia de tocar um ou outro instrumento sem cantar ao mesmo tempo. E em 2000, passando pela confusão adolescente da mudança de voz, foi fazer aulas de canto pra conseguir cantar as notas baixas que até então não soavam.

     Mais ou menos nessa mesma época também surgiram a troca de experiências musicais com os amigos, a internet e aquele que viria a ser seu trabalho pelos próximos anos: se apresentar em bares.

     A estrutura deste tipo de atividade foi ajudando a formar repertório, ampliando (ainda mais) os horizontes e ensinando música na prática. A troca com outros músicos e a curiosidade foi fazendo com que o foco do interesse fosse migrando do rock dos anos 70 e 90 para a música brasileira, sua harmonia e sua riqueza rítmica.

     Depois de se apresentar em um sem número de casas pelo interior de SP (região de Ribeirão Preto) e no norte do Paraná (Londrina), ingressou no curso de Licenciatura em Educação Musical, da UNESP, onde esteve de 2007 a 2012 e, mais uma vez, travou contato com N expressões musicais diferentes, como o jazz e o soul (que foi descobrindo pelas noites paulistanas).

     Desde então em São Paulo, seguiu se apresentando em bares e eventos e com um repertório cada vez mais amplo e variado.

     Como a música é uma deusa muito generosa, uma coisa não excluiu a outra, e todos esses ingredientes foram ocupando um mesmo espaço. E é essa a tônica de seu trabalho como compositor: usar de tudo que já lhe chegou aos ouvidos para criar sua síntese. A profundidade das melodias do Milton Nascimento e do Stevie Wonder, o clima dos discos do Pink Floyd, as harmonias da bossa nova, o balanço de Jorge Ben, a aridez de Zé Ramalho, a energia do Pearl Jam e a objetividade do discurso do Raul Seixas.

     Em 2015, começaram as gravações, em seu próprio estúdio (o Home-Studio Beco do Mota) de seu primeiro disco autoral “O tempo das coisas”, no qual assina produção, gravação, execução de todos os instrumentos e mixagem (a masterização ficou por conta de Daniel Stunges), além de ser o compositor de todas as 10 faixas. Agora, em outubro de 2016, esse trabalho chega ao público e tomará forma de um show. Ao vivo, Pitu estará acompanhado por Guilherme Granato (Culto ao Rim, Alameda Jazz) na guitarra, Alexandre Castro (Projeto diLonge, Doutor Ostrócio) na bateria e Mauricio Biazzi no contrabaixo. O repertório contará com todas as músicas do CD, com mais três canções autorais que ficaram de fora do disco (mas que deverão ser lançados como EP em breve) e releituras de quem influenciou tanto as canções do álbum quanto os músicos da banda: The Doors e Beatles.

     Com toda essa mistura despudorada – uma espécie de The Police misturado com Clube da Esquina.

     Hoje, em Madrid, onde vive agora, se dedica à divulgação de seu trabalho e à difusão da música brasileira, assim como à busca por novos elementos pra criação.

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